Sou um homem de tendências ambulatórias; não viajo, porém, para ver monumentos imponentes, que, para falar verdade, me aborrecem um pouco, nem belas paisagens, de que logo me farto; viajo para ver gente. ...

Somerset Maugham

Podem aqui ser encontrados textos e sons diversos onde se comenta a globalização, encarada como historicamente gradual mas inevitável encontro entre culturas, com relevo para as artes musicais. Não existem culturas mais avançadas que outras, de excessos e fanatismos todas sofrem, e a Europa e os EUA têm de se preparar para isso...


Desde o séc. XVI que o folclore luso levado durante os descobrimentos mantém, estranhamente, uma actualidade que merece ser descoberta. Bom exemplo é o que se passa com o keroncong, estilo musical luso-oriental cada vez mais vivo na Indonésia. Mas como terá evoluído o Mandó que preenchia os serões nas casas senhoriais em Goa? Que música ouvirão os jovens do Bairro de Pescadores em Malaca…ouvi dizer que a Farapeira, com versos em Papiá Kristang está muito na moda (Farrapeira é uma das danças mais populares e antigas no Norte de Portugal). Li algures que Sunil Perera, líder da banda do Sri Lanka The Gypsies de ascendência Kaffir(cafres), tem esgotado salas com vibrantes temas Baila (hum…)! Haverá folclore luso-oriental em Timor para além das conhecidas canções de resistência? O que restará, nas Antilhas Holandesas, dos sons empapiamento guene"vindo da Guiné" que nasceu quando em 1634 o português Samuel Cohen aportou emCuração? E em Macau, a Tuna Macaense terá gravado novos temas em Papiá Macaista? No Brasil e Cabo-Verde a influência musical é por demais evidente, mas por outro lado tantos anos comerciámos na Tailândia e no Japão, será que também papearemos por aí…


(Por vezes também espreitam sons e palavras que aparecem não se sabe de onde...)


terça-feira, 9 de setembro de 2014

Sushi


"Sushi" de Kimiko Barber:

‘(...) Entrentanto, foi aprendendo a preparar o arroz para o sushi observando o mestre, silenciosamente e à distância. Quando, por fim, foi autorizado a aproximar-se, a tarefa que lhe cabia era arrefecer o arroz quente com a ajuda de um leque. Ao fim de quase 10 anos, Takemura teve acesso finalmente ao balcão, à entrada da loja. O balcão é a zona mais importante dos bares de sushi, o local onde os mestres executam a sua arte. Por essa altura, Takemura tinha já mudado para um bar de sushi maior, em Osaka, a segunda cidade do Japão e a capital gastronómica do país, onde teve de abandonar o seu sotaque regional, de modo a não ofender os clientes. Agora, na qualidade de ajudante ou wakiita (que significa “ao lado da tábua de cortar”), Takemura era autorizado a preparar peixe para os seus superiores e a enrolar sushi para entregas ao domicílio. Foram necessários mais alguns anos para ser promovido à posição deitamae, que significa “à frente da tábua de cortar”.(...)’

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